Governo do DF tenta socorrer BRB com empréstimo bilionário e mostra contas de 2026 para convencer União
O Governo do Distrito Federal (GDF) apresentará dados financeiros parciais referentes a 2026 em uma tentativa de obter um empréstimo de R$ 6,6 bilhões. O objetivo é cobrir o rombo deixado pelo Banco Master no Banco de Brasília (BRB) e convencer a União e instituições financeiras sobre a capacidade de pagamento da operação.
A estratégia se baseia em projeções de superávit para o ano de 2026, contrastando com o déficit inicialmente previsto. Os números foram apresentados em coletiva de imprensa nesta sexta-feira, 7, e serão discutidos em reunião no Supremo Tribunal Federal (STF) no próximo dia 13.
Apesar de o Distrito Federal possuir uma nota de Capacidade de Pagamento (Capag) “C” no Tesouro Nacional, o que impede o aval da União para empréstimos, o GDF aposta nos resultados projetados para reverter essa avaliação. Conforme informação divulgada pelo Estadão, os dados de 2026 até julho já indicam condições para uma nota “A”, com o objetivo de alcançar “A+” ao final do ano.
Mudança de Rumo Financeiro: De Déficit a Superávit Projetado
Os resultados parciais das contas de 2026 mostram uma reviravolta significativa. O Distrito Federal, que projetava um déficit de R$ 6 bilhões para o ano, agora estima fechar 2026 com um superávit de R$ 3 bilhões. Segundo o secretário de Economia, Valdivino de Oliveira, é possível alcançar um superávit de R$ 6 bilhões, demonstrando a capacidade financeira para honrar o empréstimo.
“Se o governo trabalhar com seriedade, num exercício só ele é capaz de gerar um superávit de mais de 70% ou 80% da operação (de empréstimo do BRB)”, afirmou o secretário. A governadora Celina Leão (PP) destacou que o GDF assumiu um rombo de quase R$ 5 bilhões e implementou um “choque de gestão” para reverter a situação.
A Luta pelo Empréstimo Bilionário e as Negociações no STF
O pedido de empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para socorrer o BRB ainda não foi finalizado. Bancos privados relutam em oferecer as garantias necessárias nas condições atuais. Por isso, o GDF recorreu ao STF, fechando um acordo com a União para viabilizar o financiamento.
Uma nova audiência de conciliação foi marcada pelo ministro Luiz Fux após o Distrito Federal alegar “inércia” da União e do FGC. No entanto, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou a inércia, atribuindo a demora à falta de um plano “crível” do BRB e da administração distrital. A governadora Celina Leão rebateu, afirmando que o GDF não cometerá o erro de fazer “avaliações políticas”.
Capag Parcial de 2026: Um Pilar para a Aprovação do Empréstimo
Embora os números de 2025 sejam desfavoráveis para a avaliação da Capag que será divulgada em outubro, o governo do DF considera a Capacidade de Pagamento parcial de 2026 suficiente para uma avaliação excepcional. “Para efeitos jurídicos, o Capag parcial serve”, declarou a governadora Celina Leão.
O principal indicador revertido foi a poupança corrente, com despesas somando 93,95% da receita em julho. Há dois anos e meio, os gastos mensais ultrapassavam o limite de 95% estabelecido pela Constituição. A expectativa é que os números de 2026, que servirão para a avaliação da Capag de 2027, consolidem a recuperação financeira do Distrito Federal.

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