Grupo SBF (SBFG3) apresenta resultados expressivos no 2T26, mas ações recuam; mercado reage com cautela e otimismo
O Grupo SBF, controlador da Centauro e da operação da Nike no Brasil através da Fisia, divulgou seus resultados referentes ao segundo trimestre de 2026, apresentando números que foram considerados por analistas como “dignos de Copa do Mundo”. A companhia registrou um lucro líquido ajustado de R$ 141,9 milhões, um salto de 62,7% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
A receita líquida consolidada alcançou um recorde de R$ 2,2 bilhões, com um crescimento expressivo de 22,1% na comparação anual. O Ebitda ajustado também bateu recordes, chegando a R$ 248,9 milhões, um avanço de 48,7%, e a margem Ebitda subiu 2 pontos percentuais, atingindo 11,2%.
Esses resultados expressivos, impulsionados em grande parte pela Copa do Mundo de 2026, que elevou a venda de artigos esportivos, contrastam com a queda de 5% observada nas ações da SBFG3 na Bolsa. Conforme apurado por diversas fontes, o mercado parece ponderar os números fortes com outros fatores, enquanto especialistas reiteram recomendações de compra.
Copa do Mundo impulsiona vendas e rentabilidade do Grupo SBF
O Grupo SBF atribui parte significativa do seu excelente desempenho à Copa do Mundo de 2026. A empresa capitalizou o evento esportivo, vendendo mais de 1,5 milhão de produtos relacionados ao torneio até 31 de julho. Deste total, destacam-se 1 milhão de camisas oficiais da Seleção Brasileira, 352 mil produtos licenciados da CBF e 169 mil bolas oficiais, demonstrando a forte conexão da empresa com o momento.
A operação da Nike no Brasil, sob a Fisia, foi um dos grandes destaques. A entidade apresentou um desempenho acima das expectativas, com vendas líquidas 6% superiores às projeções da XP Investimentos. Essa performance foi sustentada por um mix de marcas favorável e pela expansão da margem bruta, beneficiada por vantagens fiscais de ICMS e condições comerciais mais vantajosas, que compensaram os efeitos negativos do câmbio (FX).
Analistas do Bradesco BBI, XP e Itaú BBA reiteram recomendação de compra para SBFG3
Apesar da performance negativa das ações, o consenso entre os analistas é de que o Grupo SBF entregou um trimestre acima das expectativas. O Bradesco BBI, por exemplo, reitera sua recomendação de Compra para SBFG3, destacando que a companhia apresentou resultados superiores às estimativas em todas as linhas principais. O banco aponta que a empresa negociou a um múltiplo P/L (preço sobre o lucro) atrativo de 3,8 vezes para 2027, com desconto frente aos pares.
A XP Investimentos também mantém sua recomendação de Compra, ressaltando que a expansão da margem bruta foi mais forte do que o esperado. A XP observou que o Ebitda ajustado superou a estimativa em 16%, impulsionado pela receita mais forte e pela alavancagem operacional. Embora o capital de giro tenha apresentado um consumo de caixa de R$ 12 milhões, impulsionado por maiores necessidades e capex para reformas de lojas, a expectativa é de que esse cenário se normalize no terceiro trimestre.
O Itaú BBA, por sua vez, destaca que o resultado de lucro por ação (EPS) veio significativamente acima das estimativas (+16%). A receita líquida da Centauro, com crescimento de 20% nas vendas mesmas lojas (SSS), superou a projeção do banco, mesmo com uma base de comparação desafiadora. O Itaú BBA reitera sua recomendação de Outperform (equivalente à compra), citando a avaliação ainda bastante atrativa da ação, com SBFG3 negociando a 4,6x o P/L projetado para 2026.
Desafios e perspectivas futuras para o Grupo SBF
Um ponto de atenção levantado pela XP Investimentos foi a dinâmica do capital de giro, que resultou em um consumo de caixa de R$ 12 milhões no trimestre. Esse cenário foi atribuído a maiores necessidades de capital de giro e a um investimento mais elevado em capex, relacionado à reforma de lojas. No entanto, a companhia informou que o aumento dos recebíveis esteve ligado às vendas da Copa do Mundo, com prazo médio de recebimento de 60 dias, e a expectativa é de que esse caixa seja convertido já no terceiro trimestre.
O Itaú BBA projeta uma desaceleração no crescimento das vendas mesmas lojas (SSS) nos próximos trimestres, mas ainda espera crescimento no segundo semestre, acompanhado de expansão de margem bruta e Ebitda. A melhora na dinâmica do capital de giro, especialmente no quarto trimestre, é vista como um fator positivo. Essa combinação de fatores deve sustentar ganhos de ROIC (retorno sobre o capital investido) e rentabilidade.
Apesar da volatilidade no curto prazo, as recomendações unânimes de compra dos principais bancos de investimento indicam um otimismo com o futuro do Grupo SBF, que parece ter navegado com sucesso o período da Copa do Mundo e demonstra resiliência em suas operações, mesmo diante de um cenário de mercado desafiador.

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