Mercado reavalia cenário econômico global após dados de inflação nos EUA, impactando decisões futuras de juros no Brasil e nos EUA.
A divulgação de novos dados de inflação nos Estados Unidos, que vieram abaixo das expectativas do mercado, gerou um alívio significativo nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries). Essa melhora no cenário externo trouxe otimismo aos investidores brasileiros.
Com o ambiente mais favorável, o mercado financeiro nacional passou a precificar com maior convicção um novo corte na taxa básica de juros, a Selic, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Este seria o quarto movimento de redução consecutiva no ciclo de afrouxamento monetário.
Além disso, a análise dos dados econômicos americanos e suas repercussões globais também levou os investidores a considerarem uma pequena, mas crescente, chance de um corte adicional na Selic já em setembro. Conforme informação divulgada pela Reuters, a curva de juros futuros emite sinais de um possível ajuste, refletindo um cenário de incertezas, mas com tendências de flexibilização monetária. Os dados foram compilados a partir de análises da curva de juros futuros e do comportamento dos títulos do Tesouro dos EUA.
Corte na Selic em Agosto Quase Certo, Setembro Ganha Força
A curva de juros futuros no Brasil fechou a quarta-feira (15) próxima da estabilidade, impulsionada pelo alívio nos rendimentos dos Treasuries americanos. Durante a tarde, a curva a termo já precificava quase 100% de chance de uma redução de 25 pontos-base na Selic na próxima decisão do Copom, mantendo a taxa em 14,25% ao ano.
O movimento mais notável, no entanto, foi o ajuste nas apostas para setembro. No fim da tarde, a curva já precificava 30% de probabilidade de um quinto corte consecutivo nos juros, levando a Selic para 13,75% ao ano. Em contrapartida, a chance de manutenção da taxa nesse período era de 70%.
Inflação nos EUA Abaixo do Esperado Adia Aposta em Alta de Juros Americanos
Nos Estados Unidos, o cenário inflacionário apresentou surpresas. Os preços ao produtor (PPI) caíram 0,3% no mês passado, revertendo a alta de 0,6% registrada em maio, segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA. Essa queda foi mais acentuada do que a estabilidade esperada pelos economistas consultados pela Reuters.
No acumulado de 12 meses até junho, os preços ao produtor subiram 5,5%, uma desaceleração em relação aos 6,0% de maio. Este dado segue a mesma linha do índice de preços ao consumidor (CPI) divulgado anteriormente, que registrou uma deflação de 0,4% em junho, a maior queda mensal desde abril de 2020 e abaixo das projeções do mercado.
Fed Watch e Futuro dos Juros Americanos
Embora o CPI e o PPI não sejam as únicas referências para o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), eles são cruciais para calibrar as expectativas do mercado sobre a trajetória futura dos juros. Os investidores agora aguardam o índice de despesas de consumo pessoal (PCE), principal termômetro para o Fed, previsto para ser divulgado no dia 30.
A ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava, perto do fechamento, 89,8% de chance de o Fed manter os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano na reunião de julho. Antes da divulgação do PPI, essa probabilidade era de 84%. Para a reunião de setembro, a aposta majoritária também se inclina para a manutenção, com 51,9% de probabilidade. Outubro surge como o mês mais provável para uma nova alta, com 57,3% de chance.
Impacto na Curva de Juros Brasileira
No Brasil, a taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 (curtíssimo prazo) fechou a 13,890%. Já a taxa de DI para janeiro de 2029 (médio prazo) encerrou em 14,025%. Para o longo prazo, a DI de janeiro de 2036 terminou o dia a 14,320%. Esses movimentos refletem a precificação do mercado diante do cenário internacional e das expectativas sobre a política monetária doméstica.

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