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Novo ‘Tarifaço’ dos EUA: Azimut prevê impacto menor na bolsa brasileira, mas alerta para negociação com o governo

Azimut avalia impacto do novo ‘tarifaço’ dos EUA na bolsa brasileira e destaca importância da negociação diplomática

A recente imposição de uma tarifa de 25% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor na quarta-feira (22), coloca o Brasil em uma posição delicada no comércio internacional. O país agora figura como o segundo com a maior carga tarifária aplicada pelos EUA, atrás apenas da China. Esse cenário, que já era preocupante, pode se agravar com a expectativa de uma nova rodada de tarifas, de 12,5%, para diversos parceiros comerciais americanos, incluindo o Brasil.

A Global Trade Alert aponta que a tarifa média efetiva aplicada ao Brasil já atinge 18,2%. Diante desse quadro, a Azimut Brasil Wealth Management, por meio de seu codiretor Eduardo Carlier, analisou as possíveis consequências para a bolsa brasileira. A instituição acredita que o impacto desta nova medida tende a ser mais limitado em comparação com o “tarifaço” anterior, anunciado em agosto do ano passado.

A comparação com o passado recente é crucial para entender a projeção. Em julho de 2025, um anúncio de tarifa adicional de 40%, exclusiva para produtos brasileiros, resultou em uma queda de 0,68% no Ibovespa no dia seguinte. Desta vez, apesar do recuo de 1,24% no dia seguinte ao anúncio do novo tarifaço, em 15 de maio, a percepção é de que a extensão do impacto será menor. Conforme informação divulgada pela Azimut, a notícia não é totalmente positiva, mas a atenção agora se volta para a forma como os governos encontrarão um caminho para negociar essa situação de maneira mais vantajosa para o Brasil a longo prazo.

Menor alcance da nova tarifa explica impacto limitado

Eduardo Carlier, codiretor da Azimut Brasil Wealth Management, explicou que as consequências para a bolsa brasileira, desta vez, são menores. Ele destacou que, no primeiro anúncio de tarifa, a taxa atingia quase todos os produtos que o Brasil exportava para os Estados Unidos. Agora, o número de itens tarifados é significativamente menor, o que contribui para um efeito menos pronunciado no mercado financeiro.

Negociação e diplomacia como caminhos para o Brasil

A principal preocupação da Azimut não reside nas tarifas anunciadas em si, mas na forma como o governo brasileiro conduzirá as negociações com os EUA daqui para frente e em eventuais respostas. Carlier ressaltou que o primeiro “tarifaço” foi, em certa medida, renegociado, indicando que a diplomacia e a busca por acordos podem ser estratégicas. Ele avalia que a retaliação tarifária tende a ser pouco eficiente e pode dificultar um acordo entre os países, citando como exemplo a política adotada pela China no ano passado, que intensificou as tensões comerciais com os EUA.

Governo brasileiro estuda medidas de reciprocidade, mas com cautela

A expectativa do mercado é de que o governo brasileiro acione instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade. Isso pode incluir medidas como restrição às importações, suspensão de concessões, patentes ou remessas de royalties, além da aplicação de tarifas adicionais sobre os países-alvo de retaliação. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, já afirmou que a reciprocidade não é uma “vingança” e será adotada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos quando considerado adequado.

“O Brasil tem esse instrumento, vai usar esse instrumento, mas quando for adequado, quando for necessário”, declarou o ministro. No entanto, Carlier, da Azimut, pondera que a retaliação tarifária pode ter pouca eficiência, defendendo que a saída mais inteligente reside na diplomacia e na negociação para encontrar soluções mais eficazes e menos prejudiciais ao comércio bilateral.

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