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O ‘Tédio’ do Itaú (ITUB4): Lucro Bilionário Confirma Estabilidade e Surpreende Mercado, Mas Pontos de Atenção Persistem

Itaú (ITUB4) Apresenta Resultados Sólidos em Trimestre sem Grandes Surpresas, Superando Expectativas em Meio a Preocupações com Crédito

O Itaú Unibanco (ITUB4) mais uma vez demonstrou sua resiliência no mercado financeiro, divulgando um conjunto de bons resultados que contrastam com as expectativas de alguns investidores e analistas. Antes da divulgação do balanço, a ação chegou a registrar queda, impulsionada pelo receio de que a piora do cenário de crédito pudesse impactar negativamente o banco, um temor que se concretizou para concorrentes como o Santander (SANB11).

No entanto, o Itaú Unibanco apresentou um lucro líquido de R$ 12,4 bilhões, um aumento de 7,8% em relação ao ano anterior. Este marco representa a 11ª alta consecutiva nos lucros, consolidando uma trajetória de crescimento consistente. A última vez que o banco registrou queda em seu lucro foi no terceiro trimestre de 2023, impactado pela crise da Americanas (AMER3), segundo dados da Elos Ayta.

Essa performance consistente, mesmo em um cenário de aumento das preocupações com a qualidade dos ativos no sistema financeiro, foi destacada por relatórios de instituições financeiras. Conforme aponta o Safra, o banco comprovou sua estratégia disciplinada de apetite a risco, mantendo a inadimplência acima de 90 dias estável e apresentando apenas uma alta marginal na inadimplência entre 15 e 90 dias, esta última atribuída a operações na América Latina fora do Brasil. Os dados foram divulgados e analisados por diversas fontes, incluindo o próprio banco e casas de análise de mercado.

Crescimento da Carteira e Margem Financeira Impulsionam Resultados

O crescimento da carteira de crédito do Itaú Unibanco surpreendeu positivamente, atingindo 10% na comparação anual, segundo análise do Bradesco BBI. O destaque fica por conta da expansão em segmentos considerados de menor risco, como crédito consignado e imobiliário. Adicionalmente, a margem financeira superou as expectativas, impulsionada pela performance da tesouraria.

Gustavo Schroden, analista do Citi, ressaltou em relatório que o Itaú apresentou mais um trimestre sólido, com rentabilidade e capital entre os melhores do setor. Ele vê o banco como um dos mais bem preparados para atravessar um cenário macroeconômico desafiador, sustentado por sua forte posição de capital e pela gestão de custos disciplinada.

Pontos de Atenção e Revisão de Guidance

Apesar dos resultados robustos, alguns analistas apontam para pontos de atenção. O BTG, por exemplo, considerou os números como “pouco inspiradores”, chamando a atenção para o lucro por ação, que cresceu apenas 5% em relação ao ano anterior, o ritmo mais lento dos últimos três anos. A receita com tarifas também permaneceu sob pressão, refletindo uma atividade bancária mais fraca.

O JPMorgan também identificou aspectos que merecem observação. A qualidade dos ativos apresentou resultados mistos, com um aumento de R$ 2,1 bilhões em créditos tributários diferidos (DTAs). Além disso, a formação de novos créditos inadimplentes (NPLs) cresceu 10% em relação ao trimestre anterior, totalizando R$ 10,7 bilhões, impulsionada pela América Latina e pelo varejo no Brasil.

O volume de empréstimos renegociados subiu 4,6% na comparação trimestral, atingindo R$ 36,3 bilhões, devido a casos corporativos e ao programa Desenrola. O Itaú também realizou a venda de cerca de R$ 630 milhões em créditos ativos, dos quais apenas R$ 39 milhões estavam em atraso, um impacto considerado irrelevante no índice de inadimplência.

Revisão do Guidance e Perspectivas para o Futuro

O Itaú revisou para baixo a expectativa de crescimento da receita de prestação de serviços e do resultado de seguros para 2026, reduzindo a previsão para a faixa de 2,0% a 5,0%, ante a projeção anterior de 5,0% a 9,0%. Embora essa revisão possa parecer negativa à primeira vista, os analistas não alteraram significativamente suas visões sobre o banco.

Segundo cálculos do JPMorgan, a alteração do guidance implica um risco de queda de R$ 1,3 bilhão, ou 2,5%, no lucro líquido. Contudo, o banco pode compensar parte desse efeito com uma alíquota de imposto mais baixa, beneficiado pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) mais alta e pelo pagamento de Juros sobre Capital Próprio (JCP).

Recomendação de Compra Mantida e Potencial de Valorização

Apesar das ressalvas, a recomendação de compra para as ações do Itaú Unibanco (ITUB4) foi mantida pela maioria dos analistas. O JPMorgan, por exemplo, considera o Itaú como o melhor banco para enfrentar incertezas futuras, negociando a 2,2 vezes Preço/Valor Patrimonial (P/VP), enquanto Bradesco e Santander negociam a cerca de 1,1 vez.

O BTG afirma que a tese de investimento permanece intacta, mas projeta 2026 como um ano de transição, com uma base de comparação mais difícil e menor apetite por risco. Já o BB Investimentos vê o momento operacional do Itaú como predominantemente estrutural, sustentado por um portfólio de crédito de alta qualidade, receitas diversificadas e disciplina de custos, o que garante resultados previsíveis.

O BB elevou o preço-alvo para R$ 50, um potencial de alta de 18%. A Genial estabeleceu um preço-alvo de R$ 53,00, com um upside de 25,9% e um dividend yield estimado de 7,6%, considerado um dos mais atrativos entre os grandes bancos brasileiros. A Genial enxerga o Itaú como a melhor combinação entre crescimento e geração de caixa no setor bancário nacional.

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