Ouro e prata registram ganhos impulsionados por expectativas sobre juros nos EUA e dados de inflação.
O ouro encerrou o pregão desta segunda-feira (10) em alta, mostrando uma leve recuperação após quedas recentes. O mercado financeiro está focado nas próximas decisões do Federal Reserve (Fed) sobre a taxa de juros nos Estados Unidos, especialmente após a divulgação de dados de emprego mais fracos que o esperado.
A expectativa agora se volta para os novos indicadores de inflação que serão divulgados ao longo desta semana. Esses dados podem ser cruciais para definir o rumo da política monetária americana e, consequentemente, influenciar o desempenho de ativos como o ouro e a prata.
Conforme informações divulgadas pelo Estadão Conteúdo, na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o contrato futuro de ouro para agosto avançou 0,45%, fechando a US$ 4.419,70 por onça-troy. A prata, por sua vez, também teve um dia positivo, com o contrato para setembro subindo 2,8% e alcançando US$ 65,272 por onça-troy.
O que impulsionou a alta do ouro?
O metal dourado apresentou uma recuperação modesta após ter caído brevemente abaixo do nível de US$ 4 mil por onça-troy na semana passada. O principal relatório de empregos dos EUA, o payroll, divulgado na sexta-feira (7), provocou uma queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries).
Essa movimentação gerou expectativas de que o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos EUA, possa adotar uma postura mais flexível em suas decisões futuras, conhecida como “dovish”. A atenção do mercado agora se volta para o índice de preços ao consumidor (CPI) de julho, a ser divulgado nesta semana.
Inflação em foco: CPI e PPI como termômetros econômicos
O índice de preços ao consumidor (CPI) de julho é aguardado com grande expectativa, pois pode ser um fator decisivo para a decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) sobre as taxas de juros em setembro. Além do CPI, os dados da inflação ao produtor (PPI) também serão divulgados, fornecendo um quadro mais completo do cenário inflacionário nos Estados Unidos.
A ferramenta FedWatch, do CME Group, indica que o mercado está dividido quanto à próxima decisão do Fed. Atualmente, há uma probabilidade de 51,7% para um aumento dos juros, mantendo-os na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, e 48,3% de chance para a manutenção das taxas atuais.
Perspectivas futuras para o ouro
O UBS Global Wealth Management projeta que o ouro possa ser negociado a US$ 5 mil por onça-troy no primeiro semestre de 2027. No entanto, a equipe de estrategistas do banco alerta que os riscos de curto prazo permanecem.
Esses riscos incluem a possibilidade de os dados econômicos dos Estados Unidos continuarem fortes, a manutenção das preocupações com a inflação devido aos preços do petróleo, ou a precificação contínua pelo mercado de uma trajetória mais agressiva (hawkish) para os juros pelo Federal Reserve.

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