STF autoriza novo inquérito contra filho de Lula por suspeita de tráfico de influência na Dataprev
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um novo inquérito pela Polícia Federal para investigar o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A investigação visa apurar supostas irregularidades e tráfico de influência em negócios relacionados à Dataprev, empresa pública responsável pela gestão de dados do INSS.
A decisão, divulgada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Reuters, adiciona mais um capítulo às investigações que envolvem o empresário. Anteriormente, Mendonça já havia determinado a abertura de um inquérito para apurar a suspeita de atuação irregular em benefício de um lobista em negócios no Ministério da Saúde.
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva criticou veementemente a nova investigação, classificando-a como uma tentativa de “pescaria probatória” e questionando a competência do STF para julgar o caso. A defesa alega que não há justificativa para a investigação estar no Supremo e que seu cliente nunca teve ligação com fraudes no INSS, sugerindo um interesse político por trás das ações, especialmente em período eleitoral.
Defesa de Lulinha alega ilegalidade e “pescaria probatória”
Em nota anterior, o advogado do empresário manifestou sua indignação com a decisão do STF. Ele argumentou que a abertura de um novo inquérito sem elementos concretos configura ilegalidade e uma busca por provas sem fundamento, o que é proibido. “Se queriam achar algo e não acharam, não podem criar uma nova teoria para começar tudo de novo, esticando essa história até as eleições”, declarou a defesa, em referência à proximidade das eleições presidenciais.
A defesa reforçou o conceito de “pescaria probatória”, explicando que a estratégia de investigar sem um alvo definido, buscando incriminar a qualquer custo, é ilegal e evidencia um claro interesse político. “Tentam achar ‘x’, como não acham, tentam ‘y’, e se não acharem vão inventar ‘z’. Investigação não é exercício de tentativa e erro. Isso configura o que chamamos de pescaria probatória, que é ilegal e escancararia o interesse político por trás dessa movimentação peculiar”, afirmou a defesa.
Lula defende o filho e garante que não haverá interferência
Em entrevista concedida na quinta-feira ao Inteligência Ltda. Podcast, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou sobre as investigações envolvendo seu filho. Lula afirmou que Lulinha tem sido vítima de uma “campanha difamatória” e que ele é utilizado como alvo para atingi-lo politicamente. No entanto, o presidente assegurou que não haverá qualquer tipo de interferência em qualquer processo judicial.
“Se o meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa. Não haverá nenhum privilégio. Eu jamais pedirei para um delegado, para um juiz não fazer as coisas corretas”, declarou Lula. Ele confirmou que Lulinha reside atualmente na Espanha, mas reiterou que o filho não se “esconderá”.
O presidente demonstrou confiança na inocência do filho, afirmando que ele jura sua inocência diariamente e que ele acredita nele. “Se ele for julgado, ele virá para cá, não vai ficar escondido, não. Não vou utilizar meu cargo para proteger. Ele vai vir para cá, vai ter que provar que ele é inocente, e se for culpado, vai pagar o que todo mundo tem que pagar quando erra”, concluiu Lula.
Investigação pode impactar cenário eleitoral
A abertura de novas investigações envolvendo um dos filhos do presidente da República é um cenário que tende a ser explorado por adversários políticos na campanha eleitoral. O presidente Lula busca a reeleição para seu quarto mandato, e a repercussão dessas apurações pode influenciar o debate público e a percepção dos eleitores.
A Dataprev, empresa alvo da investigação, é uma estatal de tecnologia da informação fundamental para o governo, responsável por gerenciar a base de dados do INSS e outros sistemas cruciais para a administração pública. Qualquer suspeita de irregularidade envolvendo a empresa gera grande atenção.

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