Ministro da Fazenda descarta recessão em 2027 e critica projeções pessimistas ligadas às eleições.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, se mostrou confiante quanto à trajetória da economia brasileira, afastando a possibilidade de uma recessão em 2027. Em entrevista, Durigan atribuiu as projeções mais pessimistas a uma influência do ambiente eleitoral, sugerindo que tais previsões podem ser uma tática para pressionar o governo.
Apesar de reconhecer uma desaceleração esperada devido aos juros elevados, o ministro enfatizou que o governo não trabalha com um cenário de queda na atividade econômica. Ele classificou as falas sobre recessão como um exagero, especialmente no contexto do período eleitoral.
Durigan explicou que, embora o mercado financeiro projete um crescimento em torno de 1% para o próximo ano, aquém da expectativa do governo superior a 2%, um ritmo menor de expansão não configura recessão. A alta taxa de juros, segundo ele, cumpre seu papel de desaquecer a economia, o que leva a essa projeção de desaceleração.
Juros altos são o principal obstáculo, diz ministro
Na avaliação de Dario Durigan, o principal desafio enfrentado pela economia brasileira atualmente não é mais o déficit primário, mas sim o **elevado custo da dívida pública**, diretamente ligado às altas taxas de juros. Ele ressaltou que o endividamento público continua alto e precisa ser gerenciado.
O ministro destacou que os juros altos impactam negativamente tanto as famílias e empresas quanto o próprio governo. Para os empreendedores, o custo para obter crédito se torna proibitivo, desestimulando investimentos. O Tesouro Nacional, por sua vez, também arca com um custo elevado para financiar a dívida pública.
Durigan defende que o Ministério da Fazenda deve continuar seu “dever de casa” para reduzir a percepção de risco do país e, consequentemente, permitir uma **queda estrutural dos juros**. Essa ação é vista como fundamental para a retomada do dinamismo econômico.
Ajuste fiscal deve prosseguir, mas com foco em despesas
Embora as contas públicas estejam mais equilibradas em comparação com 2023, o ministro reconheceu que o próximo governo terá a tarefa de **aprofundar o ajuste fiscal**. Após um esforço concentrado na recomposição de receitas, será necessário avançar sobre as despesas obrigatórias para estabilizar a trajetória da dívida pública.
“Se nesta gestão fizemos um ajuste de cerca de dois pontos percentuais do PIB, a próxima gestão terá de fazer um esforço parecido, mas mais forte pelo lado da despesa obrigatória”, afirmou Durigan. Ele também defendeu a manutenção ou o endurecimento da regra fiscal e a modernização do Estado para otimizar os gastos públicos.
O ministro rebateu as críticas sobre o aumento da dívida, explicando que o déficit primário está praticamente zerado desde 2024 e que o principal fator de crescimento do endividamento é o pagamento de juros. “O que explica hoje o endividamento são os juros do país”, concluiu.
Durigan critica comparações com a Argentina e elogia indicadores brasileiros
Durante a entrevista, Dario Durigan também comentou as comparações entre a economia brasileira e a argentina, criticando declarações do presidente argentino Javier Milei. O ministro ressaltou que os indicadores econômicos do Brasil são mais sólidos.
Ele citou que o dólar está abaixo do patamar observado no início do governo Lula, o risco-país se encontra próximo das mínimas históricas, e o Brasil apresenta baixo desemprego, inflação controlada, safra recorde e um saldo comercial robusto. Durigan encerrou pedindo para não se dar crédito a previsões apocalípticas sobre a economia brasileira.

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