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Fed em Alerta: Dois Diretores Discordam e Pedem Juros Mais Altos Agora para Frear Inflação Persistente

Dois dissidentes do Fed defendem juros mais altos para combater inflação persistente nos EUA

A inflação nos Estados Unidos tem se mostrado mais resiliente do que o esperado, levando dois importantes membros do Federal Reserve (Fed) a defenderem publicamente a necessidade de um aumento nas taxas de juros. Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, e Neel Kashkari, presidente do Fed de Minneapolis, foram os únicos a votar contra a decisão de manter os juros inalterados na última reunião de política monetária da semana.

Ambos os dirigentes expressaram preocupação com a possibilidade de a inflação se tornar arraigada, o que poderia dificultar seu controle futuro. Eles argumentam que agir agora, com aumentos graduais, seria mais prudente do que esperar e potencialmente precisar de medidas mais drásticas posteriormente, caso a inflação não ceda.

A divergência de opiniões dentro do comitê de política monetária do Fed destaca o dilema enfrentado pela autoridade monetária americana. Enquanto a maioria optou pela cautela, Hammack e Kashkari sinalizam que a batalha contra a inflação ainda está longe de terminar e que a política monetária atual pode não ser suficientemente restritiva para atingir a meta de 2%.

Inflação Teimosa Acima da Meta Exige Ação, Diz Presidente do Fed de Cleveland

Beth Hammack afirmou que a inflação tem permanecido teimosamente acima de 2% há mais de cinco anos. Ela não está confiante de que a inflação retornará à meta do banco central por conta própria. Em sua visão, uma taxa de juros mais alta ajudaria a conter a atividade econômica e, consequentemente, reduzir as pressões inflacionárias.

Hammack acredita que a economia americana, com um mercado de trabalho estável, pode suportar juros mais elevados. Ela preferiu agir na reunião recente, pois não considerava a postura atual da política monetária adequadamente restritiva. Essa discordância ocorreu em três das oito votações de política monetária em que participou.

Kashkari Alerta para Risco de Inflação Arraigada e Propõe Aumentos Graduais

Neel Kashkari, presidente do Fed de Minneapolis, compartilhou a preocupação com a inflação e defendeu que o Fed deveria ter elevado os juros na última quarta-feira, como o primeiro de uma série de aumentos. Ele argumenta que, para conter o risco de que a inflação elevada se torne arraigada, é preferível apertar a política monetária gradualmente, à medida que mais dados sobre a trajetória da inflação e do emprego são coletados.

Kashkari sugeriu que, se a inflação permanecer elevada, uma série de pequenos ajustes na política monetária seria melhor do que esperar e, eventualmente, concluir que ações ainda mais ousadas seriam necessárias. Caso a inflação esfrie, o Fed poderia desacelerar ou suspender os aumentos dos juros sem causar impacto desnecessário na economia real. Kashkari discordou em seis das 30 votações de política monetária em que participou.

Logan, do Fed de Dallas, Também Defendeu Aumento de Juros

Lorie Logan, presidente do Fed de Dallas, foi a terceira autoridade a defender o aumento da taxa básica de juros do banco central em 0,25 ponto percentual. A faixa atual dos juros nos Estados Unidos está entre 3,50% e 3,75%. A votação na reunião desta semana resultou em 9 votos a favor da manutenção dos juros e 3 votos contra, sendo esses de Hammack, Kashkari e Logan.

Mercados Antecipam Futuros Aumentos de Juros e Inflação Continua Sob Pressão

O resultado da reunião de política monetária desta semana foi cercado de incertezas, em parte pela postura reservada do novo chair do Fed, Kevin Warsh, sobre suas perspectivas. Os mercados financeiros já haviam precificado a possibilidade de um aumento na última quarta-feira e, de modo geral, esperam que o Fed eleve os juros em sua próxima reunião, agendada para 15 e 16 de setembro.

Os dados mais recentes sobre a inflação reforçam a preocupação. O índice PCE, que é o indicador de inflação preferido do banco central, subiu 3,7% em junho na base anual e continua enfrentando pressão de alta, indicando que a meta de 2% ainda está distante.

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