Queda acentuada nas taxas de DIs acompanha deflação nos EUA e alivia mercado financeiro brasileiro.
A curva de juros futuros no Brasil registrou uma queda expressiva nesta terça-feira (14), devolvendo parte dos ganhos da véspera. O movimento foi impulsionado pela divulgação de dados de deflação nos Estados Unidos em junho, que levaram à redução nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, os Treasuries.
A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, considerada de curtíssimo prazo, recuou 6 pontos-base, fechando em 13,895%. Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações com uma queda mais acentuada de 21 pontos-base, a 14,020%. O título de longo prazo, DI para janeiro de 2036, também acompanhou a tendência de baixa, recuando 11 pontos-base para 14,280%.
Esses movimentos no mercado de títulos brasileiros refletem diretamente o desempenho dos Treasuries, que também fecharam em baixa. O yield do Treasury de dois anos, mais sensível à política monetária, operava a 4,191%, enquanto o título de dez anos, referência para diversos tipos de crédito, caía para 4,587%. Essas quedas nos rendimentos americanos sinalizam uma expectativa de juros mais baixos no horizonte, o que impacta positivamente os ativos de renda fixa globais.
Deflação nos EUA: o que o mercado esperava e o que foi divulgado
O grande motor por trás dessa movimentação foi a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos. O indicador registrou uma **deflação de 0,4% em junho**, a maior queda mensal desde abril de 2020 e um resultado abaixo das expectativas do mercado. Este dado é crucial, pois, embora não seja a referência principal para o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, ele é amplamente utilizado pelo mercado para calibrar as apostas sobre a trajetória futura dos juros.
No acumulado de 12 meses, a inflação norte-americana desacelerou de 4,2% em maio para 3,5%, também se mostrando inferior ao que analistas previam. Essa desaceleração inflacionária nos EUA reforça a possibilidade de o Fed adotar uma postura mais branda em relação à política monetária, o que pode significar menos aumentos ou até mesmo a manutenção das taxas de juros em patamares mais baixos por mais tempo.
Impacto nas apostas futuras do Fed e na curva de juros brasileira
A publicação dos dados de inflação nos EUA alterou significativamente as expectativas do mercado quanto às decisões futuras do Fed. Ferramentas como o FedWatch, do CME Group, mostram um aumento na probabilidade de o Fed manter as taxas de juros inalteradas na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano na reunião prevista para o final deste mês. Antes da divulgação do CPI, essa probabilidade era consideravelmente menor.
Para a reunião seguinte, em setembro, as apostas também foram ajustadas. Embora a expectativa majoritária ainda aponte para uma nova alta nos juros, a chance de essa elevação ocorrer diminuiu. Essa recalibragem das expectativas sobre a política monetária americana reverbera diretamente no mercado de renda fixa brasileiro, influenciando as taxas de DIs.
Tesouro Nacional atua no mercado e reforça tendência de baixa das taxas
No cenário doméstico, a atuação do Tesouro Nacional em seu leilão regular de títulos também contribuiu para a queda das taxas dos DIs. O órgão vendeu uma quantidade expressiva de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), que são títulos indexados à taxa básica Selic, e uma quantidade reduzida de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-Bs), papéis atrelados à inflação.
Essa estratégia, que tem se repetido nas últimas semanas, demonstra uma preferência do Tesouro em não gerar pressão de alta nas taxas da curva a termo brasileira. Ao priorizar a venda de LFTs, o Tesouro busca manter a atratividade dos títulos pós-fixados em um cenário de juros ainda elevados, ao mesmo tempo em que evita pressionar para cima os títulos indexados à inflação, o que seria desfavorável para o controle inflacionário.

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