Brasil pode triplicar plantio de palma para biocombustível em áreas desmatadas da Amazônia
O Brasil vislumbra um futuro promissor no setor de biocombustíveis avançados, com potencial para mais do que triplicar o plantio de palma nos próximos dez anos. A estratégia principal envolve a utilização de áreas já desmatadas na Amazônia, aproveitando a crescente demanda mundial por matérias-primas sustentáveis, especialmente para a produção de SAF (Sustainable Aviation Fuel), o combustível sustentável de aviação.
Victor Almeida, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma), destacou em entrevista à Reuters que o modelo brasileiro, que já expandiu a área plantada em 30% nos últimos cinco anos, alcançando cerca de 280 mil hectares, tem na agricultura familiar um pilar fundamental. Essa colaboração entre grandes produtores e pequenos agricultores tem sido essencial para o crescimento do setor.
A expectativa é que a demanda por biocombustíveis turbine ainda mais o crescimento, com cultivos avançando em áreas degradadas, minimizando riscos ambientais e garantindo o fornecimento de óleo vegetal sustentável. A meta ambiciosa de atingir um milhão de hectares em uma década, triplicando o setor, é vista como totalmente factível, conforme Almeida, que também preside o conselho da Belém Bioenergia Brasil (BBB).
Crescimento impulsionado pela demanda de biocombustíveis
O aumento expressivo na área de plantio de palma é guiado principalmente pela necessidade de biocombustíveis, com a produção de óleo vegetal servindo como um atrativo adicional para investimentos. “Vamos chegar em um milhão de hectares. Hoje, a gente tem 280 (mil), é triplicar o setor. Eu acho que você consegue fazer isso em 10 anos”, afirmou Victor Almeida. Ele ressalta que o excesso de óleo produzido encontrará vazão no mercado de biocombustíveis, consolidando o Brasil como um grande produtor.
Modelo sustentável com foco em áreas já impactadas
Um dos diferenciais do modelo brasileiro é a restrição de plantio de palma a áreas degradadas e desmatadas antes de 2008. Essa regra ambiental, aliada a mecanismos de rastreabilidade como os implementados no Pará, oferece garantias aos compradores internacionais, como os da Europa, de que a produção de óleo de palma para biocombustíveis não está associada a novo desmatamento. Almeida contrapõe a “má fama” ambiental da palma, muitas vezes ligada à expansão na Indonésia, maior produtor mundial, destacando que a produção na Amazônia pode gerar empregos e contribuir para o reflorestamento.
Produtividade da palma supera a soja
A palma demonstra uma produtividade significativamente maior em comparação com a soja para a produção de óleo. “Com meio por cento de área (da soja no Brasil), a palma faz o equivalente a 5% do volume de óleo (de soja)”, comentou Almeida. Essa eficiência na conversão de área plantada em volume de óleo é um fator estratégico, especialmente considerando que a maior parte da soja brasileira é exportada em grão.
Apoio à agricultura familiar e necessidade de políticas de Estado
As empresas do setor de palma no Brasil, além de suas próprias plantações, contam com a parceria de agricultores familiares. Estes produtores se beneficiam de financiamentos subsidiados, como os do Pronaf, do Plano Safra. As empresas estabelecem contratos de longo prazo para a compra da matéria-prima, vinculados ao preço da commodity, garantindo previsibilidade. Almeida defende, no entanto, a implementação de uma política de Estado robusta, que proteja o setor de flutuações de tarifas de importação de óleo de palma e assegure linhas de crédito de longo prazo para todos os produtores, incluindo os familiares.

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