Sabesp Privatizada: Dois Anos de Avanços em Saneamento e Investimentos Recordes Contra Críticas Sindicais
A Sabesp (SBSP3) completa dois anos de sua privatização em meio a visões contrastantes. De um lado, o economista Gesner Oliveira, ex-presidente da companhia, destaca um período de investimentos recordes e avanços significativos na cobertura de saneamento e na governança corporativa.
Por outro lado, o Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente de São Paulo (Sintaema) critica a nova gestão, apontando para uma suposta piora na qualidade dos serviços prestados à população e um cenário preocupante para os trabalhadores do setor.
A desestatização da Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo foi oficializada em 23 de julho de 2024, com uma operação bilionária que reduziu a participação do Estado na empresa. Acompanhe os detalhes e os diferentes pontos de vista sobre este marco.
Investimentos Acelerados e Metas Ambiciosas para a Sabesp
Gesner Oliveira ressalta que o principal avanço nos últimos dois anos da Sabesp privatizada foi a aceleração dos investimentos. Em 2025, a empresa registrou o maior volume anual de investimentos de sua história, atingindo R$ 15,2 bilhões, um aumento expressivo de 120% em relação a 2024.
Para 2026, a projeção é ainda mais ambiciosa, com investimentos estimados em R$ 20 bilhões, concentrados na expansão do sistema de esgotamento sanitário. A longo prazo, o plano da “Nova Sabesp” prevê cerca de R$ 70 bilhões até 2029 e aproximadamente R$ 200 bilhões até 2060, visando a universalização do saneamento no estado.
Oliveira enfatiza o potencial desses investimentos para gerar um efeito multiplicador na economia paulista, com criação de empregos, aumento da produtividade e melhoria da qualidade de vida. Segundo ele, o setor de saneamento tem a capacidade de induzir cerca de R$ 330 bilhões no PIB brasileiro até 2060 e gerar aproximadamente 4,6 milhões de empregos.
Alinhamento de Interesses e Melhoria da Governança
O economista destaca que a privatização promoveu um alinhamento de interesses entre as necessidades da população e os retornos para os investidores. Ele cita o mecanismo do Fator-U, presente no contrato de concessão, que vincula a distribuição de dividendos ao cumprimento das metas de universalização do saneamento.
“A remuneração dos acionistas passa a estar relacionada ao avanço dos indicadores de saneamento”, explica Oliveira. Para ele, a maior autonomia operacional, metas mais claras e mecanismos de governança robustos indicam uma melhora na capacidade de gestão da Sabesp, livre das “amarras típicas de uma empresa estatal”.
Oliveira também aponta para resultados financeiros positivos, como o crescimento de 31% nos investimentos no primeiro trimestre de 2026 e o aumento do lucro líquido ajustado e do Ebitda. Ele argumenta que, mesmo com uma participação acionária menor, o Estado de São Paulo passou a deter um ativo mais valioso devido à valorização da companhia.
Críticas Sindicais: Piora no Serviço e Preocupação com Trabalhadores
Em contrapartida, José Faggian, presidente do Sintaema, relata uma piora na qualidade do serviço oferecido à população desde a privatização. Ele menciona casos de água suja e problemas relacionados à gestão da empresa.
“A gestão privada trouxe várias pessoas do mercado, que não conhecem de saneamento, entendem de balanço e de gerar lucro”, critica Faggian. Segundo ele, a missão da empresa mudou de priorizar o saneamento para focar na geração de lucro, em detrimento da qualidade do serviço.
O sindicato aponta um cenário “catastrófico” para os trabalhadores, com cerca de 50% dos concursados já desligados, além de acidentes e mudanças no plano de saúde. Faggian reforça a preocupação com a disparidade entre os rendimentos da diretoria e o piso salarial dos funcionários.
O líder sindical defende que serviços essenciais como água e saneamento deveriam ser geridos pelo setor público. Embora reconheça que uma reestatização não seja um cenário de curto prazo, ele advoga por uma revisão da gestão na Sabesp, com foco na qualidade e em profissionais especializados.
A Universalização do Saneamento: Um Olhar de Longo Prazo
Gesner Oliveira reconhece que a privatização é um processo de longo prazo e que os próximos anos serão cruciais para avaliar a permanência das melhorias no serviço prestado à população. Ele destaca que a Sabesp está trabalhando para antecipar a meta de universalização do saneamento para 2029, antes do prazo de 2033 estipulado pelo Novo Marco Regulatório.
Dados apresentados por Oliveira indicam que, entre 2024 e 2025, a expansão do acesso à água alcançou 152% da meta, beneficiando cerca de 1,8 milhão de pessoas. A coleta de esgoto atingiu 133% da meta, atendendo mais de 2,1 milhões, e o tratamento de esgoto chegou a 134% da meta, beneficiando aproximadamente 3,7 milhões de pessoas.
Apesar desses avanços, Oliveira alerta para a complexidade do setor de saneamento, que exige obras complexas, manutenção constante e garantia de qualidade e continuidade no abastecimento. A precificação da oferta de ações da Sabesp, que incluiu um desconto em relação ao fechamento da bolsa na véspera da operação, também foi alvo de críticas, com opositores alegando que o Estado vendeu um ativo estratégico abaixo do seu valor de mercado.

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